top of page

22 itens encontrados para ""

  • É isso, gente!

    Dezembro. É hora de fazer um balanço e rever o que produzimos esse ano. Tal processo reflexivo nos dá uma visão das nossas ações, sobretudo nos segmentos acadêmico e artístico. Do ponto de vista da produção bibliográfica, publicamos resenhas, capítulos de livros, comunicações e artigos, incluindo os seguintes títulos: 1) Reflexões e estratégias para uma prática coral dialógica e colaborativa; 2) A Missa Sertaneja (1958), de Reginaldo Carvalho; 3) Canto Coletivo e Canto Coral: um estudo sobre a música vocal moçambicana; e 4) Entre o texto, o palco e a tela: uma análise da trilha sonora de Ladrão em noite de chuva, de Reginaldo Carvalho. Também prefaciamos a coletânea Sons de África e da Diáspora Atlântica: História, Musicologia e Interfaces, organizada por Andrea Adour e Josivaldo Pires de Oliveira. O marco foi o lançamento do livro Canções para sorrir e sonhar, com ilustrações de Sabrina Cipriano, ocorrido em julho. Como nos versos da canção Movimentando, que alegria, quanta emoção. Com relação à atividade artística, com o Coro de Câmara apresentamos cinco programas em Campina Grande-PB, João Pessoa-PB, Natal-RN e Porto Alegre-RS. O primeiro deles foi o VI Concerto da Paixão, realizado na quaresma e no qual apresentamos obras de J. S. Bach e de várias compositoras, incluindo Isabella Leonarda, Eva Ugalde, Rosephanye Powell, Elvira Drummond, lza Nogueira e Lorrany Andrade. Depois, interpretamos o Requiem para um Trombone, de Eli-Eri Moura, como parte da programação alusiva aos 10 anos da Orquestra Sinfônica da UFPB e na abertura do XIV Festival Internacional de Música de Campina Grande. No mesmo período, estreamos o Cancioneiro Atlântico, de Danilo Guanais, cantata cênica para solistas, coro misto e consorte formado por flautas, violão, violoncelo e percussão. O Requiem, de W. A. Mozart, integrou a programação do IV Festival Musica Dei e da II Convenção da Nova Associação Brasileira de Regentes de Coros (ABRACO). Em dezembro, o VI Concerto para o Advento, realizado na capital paraibana, encerrando a temporada da OSUFPB, e no Mosteiro Santa Clara, na Serra da Borborema, ocasião na qual estreamos os Cinco quadros Natalinos, de Danilo Guanais. A Coordenação Geral de Arte e Cultura (PROPEX-UFCG), a ABRACO e o Programa de Pós-Graduação em Música da UFPB igualmente nos levaram a realizar e a participar de muitas atividades em todo o país, fato que nos permitiu interagir com um sem-número de estudantes e profissionais. Esse foi um ano intenso, de grandes desafios e de realizações incríveis. Por isso, às vésperas de iniciarmos um novo ciclo, agradecemos o apoio e a parceria das instituições e empresas que estiveram conosco e dos colegas e amigos(as) que também nos acompanharam nessa caminhada. É isso, gente: estamos vivendo a melhor época das nossas vidas, inseridos nesse tempo, povo, lugar! Vladimir Silva

  • Jovens tardes de domingo

    Fim de semana, na minha infância, era sinônimo de muita música. Todos os sábados, eu e meus amigos passávamos a tarde tocando flauta e violão. Empolgados, não sentíamos o tempo passar e só quando ouvíamos o badalar do sino da Capela João Moura, avisando que a missa das cinco estava para começar, que decidíamos parar. Eu saia às pressas, correndo ao encontro da minha tia-avó, Maria Ferreira, para juntos seguirmos até a igreja. Durante a celebração, esperava com certa ansiedade a hora dos cânticos, que eram anunciados nos primeiros acordes do pequeno e nasalado harmônio, um órgão de fole que Irmã Aldete, a madre superiora, dominava com maestria. Maria se orgulhava quando me (ou)via cantando com empolgação. No domingo pela manhã, eu sempre acordava cedo para ouvir a Campina FM e o programa Clássicos Eternos, apresentado por Hilton Mota. A temática era variada, o que me permitia conhecer gradualmente a literatura musical de diferentes períodos, autores e estilos, o que só aumentava o meu interesse pela música. Eu nem imaginava que, anos mais tarde, seria o produtor e apresentador desse mesmo programa. Em casa, após o almoço, nos divertíamos, eu e a minha irmã mais velha, com o programa Qual é a música?, no qual Sílvio Santos desafiava os participantes com uma gincana musical. Meu pai também gostava desse jogo. Contudo, preferia ouvir suas músicas, especialmente depois que adquiriu um “três-em-um”, o aparelho de som mais moderno da época e no qual era possível ler e gravar fitas cassete, sintonizar rádio AM e FM e escutar discos de vinil. Comumente, ele colocava na bandeja Gal Tropical, Ave de Prata, o primeiro trabalho que Elba Ramalho gravou, e a Arte de Chico Buarque, que ouvíamos deitados no chão duro, frio e de cimento avermelhado, porém aconchegante, da sala da nossa casa. Curiosamente, meu irmão caçula gostava de ouvir Chico Buarque cantando Minha história (Gesubambino) e falando da pobre mulher que, por não se lembrar de acalantos, ninava o filho pequeno com cantigas de cabaré. E ele sorria e pedia para meu pai repetir várias vezes aquele laiá, laiá. Anos depois, já no início da adolescência, no fim da tarde, quando no alto da Rua das Imbiras os portões da AABB se abriam, avisando que a matinê estava encerrando, corríamos para aproveitar o que restava da festa. Enquanto meus amigos se dirigiam para o salão, eu me apressava para ficar na lateral do palco, vendo e ouvindo os artistas, grupos que (en)cantavam, como, por exemplo, os Vikings, Som Livre, Ogírio Cavalcante e Trepidants. Hoje é domingo e, ao ouvir a canção de Roberto Carlos na voz de Gal Costa, com saudade lembrei-me daquelas jovens tardes, tantas alegrias, velhos tempos, belos dias. Vladimir Silva

bottom of page