domingo, 24 de maio de 2020

Quatro histórias sobre o FIMUS

Tenho muitos casos para contar sobre o Festival Internacional de Música de Campina Grande. São histórias de bastidores que, depois de superadas, nos fazem sorrir. Certa feita, um convidado que sairia do aeroporto de San José, na Costa Rica (SJO), foi informado, na hora do embarque, que seu bilhete fora emitido para uma localidade homônima, na Califórnia (SJC), Estados Unidos. A partir de então, passei a conferir todas as passagens pessoalmente, razão pela qual tenho me especializado em códigos IATA.

No ano em que apresentamos o Réquiem para um Trombone, de Eli-Eri Moura, escrito em homenagem a Radegundis Feitosa, esperávamos um grande público, que, de fato, veio nos prestigiar em massa. Com a casa lotada, iniciamos a récita. Ainda nos primeiros compassos, percebi uma inquietação, ouvi ruídos vindo de uma das portas laterais do Municipal. Posteriormente, fiquei sabendo que uma turba queria entrar no Severino Cabral, tendo sido impedida pois já havia gente por todo lado. Invejosos dirão que é exagero ou mentira. Mas, é verdade, eu estava lá, testemunhei o ocorrido e vi com esses olhos, que àquela época enxergavam tudo mais nitidamente, o dia em que a polícia saiu às ruas para dispersar uma multidão sedenta por música de concerto, na cidade d’O Maior São João do Mundo.

Chico do Piano, esse velho conhecido do FIMUS, também já alimentou nosso banco de fatos pitorescos. Há muito tempo ele colabora conosco, seja alugando os seus instrumentos, seja fazendo a manutenção dos nossos. Eu não lembro em qual edição isso aconteceu, mas, sem combinar nada, ele trouxe um piano branco, que eu não aceitei, porque o considerei inadequado para o contexto. Alguns colegas não viam problema em usá-lo, tendo em vista que era um Yamaha, meia cauda, seminovo. Rejeitei a proposta, pois não queria dar munição para os críticos de plantão, que, como sabem, não são poucos e poderiam perguntar maliciosamente se Richard Clayderman também iria apresentar-se no Festival, naquele ano. Pode até parecer revanchismo, e já me desculpo pelo trocadilho, mas, daquele ponto em diante, ficou decretado que no palco só subiriam pretos (pianos, para ser mais claro).

Quando montamos o Gloria, de John Rutter, o coro tinha quase uma centena de coralistas. Ocorre que, quanto mais gente, mais trabalho. No dia do concerto, após o ensaio geral, tentamos coreografar a entrada e a saída dos cantores e músicos. Por conta da quantidade de pessoas, tivemos que repetir o procedimento várias vezes, sem sucesso. O protocolo só andou, de fato, quando eu, em alto e bom som, expressei veementemente como devíamos agir. Outro dia, comentaram que, nas noites mais silenciosas, ouve-se no palco daquela casa de espetáculos um certo... pariu... riu... riu... riu... Dizem que é a minha voz, que, desde aquele dia, ainda ecoa por lá.

Vladimir Silva (silvladimir@gmail.com)

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Um comentário:

Ralmon disse...

Eita... Me lembro muito bem do piano branco!!!

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