sábado, 20 de outubro de 2018

Gente Feliz

A Fundação Nacional de Artes e a Universidade Federal do Rio de Janeiro realizaram esta semana o Seminário Música Popular Brasileira Em Pauta. Realizado na Escola de Música da UFRJ, o evento contou com a presença de representantes de várias regiões do país que trabalham com a música em suas variadas configurações, incluindo ensino, pesquisa, difusão, produção, gestão e preservação.

Nas mesas redondas, tratamos do espaço que a música tem ocupado nas políticas públicas de cultura, a música brasileira no contexto universitário, o intercâmbio entre universidades e instituições culturais. Constatamos que temos caminhado numa mesma direção, diminuindo as fronteiras do erudito/popular, inserindo essas duas formas de representação do fazer/saber musical na academia, nas agências de fomento à arte. Os relatos dos gestores Marcos Souza (Centro de Música da FUNARTE), Elizeth Higino (Biblioteca Nacional), Mário Chagas (Instituto Brasileiro de Museus), Ana Lígia de Medeiros (Casa Rui Barbosa), Cláudia Castro (Museu Villa-Lobos) e Ellen Krohn (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional) ratificaram o que já sabíamos, isto é, que a  escassez de investimentos e a precarização de tais órgãos vêem gradualmente pondo em risco a preservação da nossa memória e identidade.

O clima de apreensão marcou o encontro. O temor é que a ascensão da extrema direita ao poder agrave ainda mais esse quadro, colocando em risco todas as conquistas dos últimos anos, a liberdade de expressão. A análise dos programas de governo dos candidatos revela os retrocessos que estão por vir numa eventual vitória desse grupo. Tirem suas próprias conclusões, confiram os dois projetos disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (Fernando Haddad -  Jair Bolsonaro). Pesquisem, nestes documentos, palavras-chaves como diversidade, cultura, arte, museus, bibliotecas, IPHAN, ANCINE e FUNARTE. Vejam quantas vezes elas aparecem em cada um, o que dizem, quais as propostas, o que enfrentaremos pela frente. Os discursos dos candidatos também denunciam o que eles pensam sobre financiamento de projetos artísticos, sobretudo em relação à Lei Rouanet.

Na diversa capital fluminense, realimentei a esperança em dias melhores, distantes dessa sombra de medo, violência e atraso que nos ronda. Pensei nos meus filhos, nos meus alunos, no meu papel enquanto educador, artista, cidadão, ser político. Reencontrei velhos amigos. Renovei o compromisso, o engajamento na luta por uma sociedade mais justa, livre, civil, sem o controle das forças armadas. Ví que não estou sozinho. Andei por becos e vielas, pela Rua do Passeio e os Arcos da Lapa, contemplando o contorno imprevisível das manhãs, das montanhas e do mar, dando asas à imaginação, num Circo Voador, ouvindo Vanessa da Mata, com sua voz maviosa e desafiadora, cantar-dizer que não se incomoda com pouco, que se cuida para não ficar amargurada, que não é do tipo que reclama e fica sentada. Vamos à luta, Gente Feliz!

Vladimir Silva (silvladimir@gmail.com)

3 comentários:

Licio Bruno disse...

Estamos felizes por sua visita à nossa cidade maravilhosa. Que dias melhores possam vir para todos, e que nossa música e nossa memória sejam preservados e divulgados.
Gde abraço!

Ralmon disse...

Que felicidade. Avante Prof. Dr. Vladimir Silva, é só sucesso!

Fernanda Miki disse...

Esperança...

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