sexta-feira, 12 de outubro de 2018

É preciso saber viver

A Licenciatura e o Bacharelado em Música da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), frutos do Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI), foram oficializados por intermédio das Resoluções Nº 8/2008, Nº 8/2012 e Nº 3/2013, da Câmara Superior de Ensino, que aprovaram a criação dos referidos cursos e definiram as suas estruturas curriculares, respectivamente. A abertura desse espaço para a formação profissional teve grande impacto na área polarizada pela Rainha da Borborema. Frequentemente, recebemos pessoas oriundas de várias cidades da Paraíba, incluindo as microrregiões do agreste, brejo, cariri, curimataú, litoral e sertão, bem como de outros estados, dentre os quais Piauí, Ceará e Pernambuco. Os jovens advém das tradicionais bandas de música, de grupos de diferentes denominações religiosas, das mais variadas escolas especializadas destes recantos.

Além de uma vasta e rica experiência, que contempla múltiplas facetas do fazer/saber musical, esses estudantes trazem consigo a certeza de que só por meio da educação poderão alçar patamares cada vez mais altos no competitivo e especializado mundo de trabalho. Sem formação técnica e qualificada, suas carreiras estarão incompletas, ficarão comprometidas. O ingresso destes profissionais no mercado tem alterado a realidade local, promovendo ruptura, contribuindo para a criação de um novo panorama, fato que temos testemunhado ao longo de quase uma década. Os shows que assistimos essa semana, Roberto por elas e Tributo a Dominguinhos, foram assinados por uma equipe da UFCG. Os dois produtos são reflexos dessa mudança.


Os egressos também estão por aí, disseminando o que vivenciaram na Serra. Muito embora ainda não tenhamos pós-graduação, hoje mais de vinte ex-alunos estão nos âmbitos do mestrado e do doutorado, no Brasil e no exterior. Alguns, já concursados, lecionam nos Institutos Federais, enquanto outros atuam como cantores, instrumentistas, maestros, compositores, arranjadores e produtores em instituições privadas, projetos sociais, empreendimentos diversos.


E o que isso nos revela? Que o conhecimento amplia horizontes, transformando a vida de um indivíduo, de um povo, de uma nação. Que o REUNI, mesmo não sendo unanimidade, foi o maior projeto que o Governo Federal desenvolveu na esfera superior nas últimas décadas. Que é necessário continuá-lo, visto que tem contribuído para a democratização do acesso à universidade, a consolidação da cidadania, a construção de um país mais justo. Que é papel das instituições universitárias produzir e socializar ciência, arte e cultura através do ensino, da pesquisa e da extensão, visando a melhoria da qualidade de vida. Que estamos no caminho certo e que nele devemos permanecer, avaliando-o e aprimorando-o. Que nossos gestos, ações e discursos estão carregados de múltiplos sentidos, que poderão inspirar nossos discentes, despertando em cada um a chama da esperança e o compromisso profético, político e poético que sulca e molda a nossa atividade pedagógica, criativa e artística e pelos quais é preciso saber viver.


Vladimir Silva (silvladimir@gmail.com)

Um comentário:

Unknown disse...

sábias palavras professor!! a continuidade desse projeto depende da nossa decisão hoje...Obrigada por lutar e acreditar em nós alunos e que nós alunos tenhamos a conciência de fazer a nossa parte para que haja continuidade nessa conquista.

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