quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Reginaldo Carvalho e Heitor Villa-Lobos

O compositor Reginaldo Carvalho foi para o Rio de Janeiro a fim de estudar no Conservatório Nacional de Canto Orfeônico, instituição criada e dirigida pelo maestro Heitor Villa-Lobos, em 1942. No CNCO, entre 1950 e 1952, fez o Curso de Especialização, que formava professores para o ensino de música na educação básica. Foi nesta época que ele conheceu Villa-Lobos, que, além de seu professor, foi também conselheiro e amigo.

A aproximação entre Reginaldo e Villa-Lobos tem sido matéria controversa. No entanto, ela pode ser atestada por meio de vários documentos, um dos quais é a recomendação que o maestro enviara ao professor Paulo Silva e na qual pedia para que ele aceitasse Reginaldo como seu discípulo nas disciplinas contraponto e fuga. Na mensagem, assim está escrito: “Meu caro Paulo, o portador, Reginaldo Vilar de Carvalho, é um dos melhores elementos de vocação absoluta para composição musical. Jovem, entusiasta, franca inclinação e sério. Você não poderia ter melhor discípulo para seguir sua sábia orientação. Por conseguinte, espero que você  o encaminhe. Desde já, agradeço o que você fizer por ele. Um bom abraço do amigo e muito admirador Villa-Lobos. Rio, 3 de dezembro de 1951.”

Foi também por incentivo e recomendação de Villa-Lobos que Reginaldo mudou-se para Paris, onde viveu entre 1953 e 1956. Aliás, foi o próprio Villa-Lobos quem patrocinou a sua viagem de navio e fez uma carta, semelhante àquela do professor Paulo Silva, dirigida, desta vez, ao compositor Paul Le Flem. A dedicatória numa foto autografada por Villa-Lobos também é bastante explícita: “Ao Reginaldo Carvalho, meu amigo, uma esperança e um talento. Lembrança grata de Villa-Lobos. Paris, 23 de março de 1954.” Outro dado interessante é a carta enviada por Mindinha, esposa de Villa-Lobos. Neste documento, escrito em Paris no dia 13 de abril de 1956, ela fala sobre a vida cotidiana, celebra o nascimento do primogênito do casal Carvalho, Serginho, e lamenta a morte do sogro do guarabirense. Reginaldo também escreveu duas crônicas intituladas Villa-Lobos, meu amigo, ainda não publicadas, nas quais ele descreve vários aspectos deste contato profissional e pessoal (veja vídeo).

A nomeação de Reginaldo Carvalho, em 1957, para fundar e dirigir o Instituto Villa-Lobos, no Rio de Janeiro, hoje ligado à Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, reforça a conexão entre os dois, ajudando a dirimir dúvidas pontuais. As pesquisas continuam nesse sentido, porque muito ainda há para ser revelado. Por meio do resgate e da interpretação de variados documentos, nunca antes analisados, nossa memória será preservada, os fatos serão (re) contados, (des) estabelecendo assim (in) verdades, fazendo com que acontecimentos e personagens relevantes da música paraibana e brasileira possam ocupar o lugar e o protagonismo que o tempo e a história lhes reservaram.


Vladimir Silva (silvladimir@gmail.com

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