quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Saravá, saravá.

Hoje, 27 de agosto, é o aniversário de Reginaldo Carvalho (in memoriam) e Eneida Maracajá. Tive a oportunidade de conviver, trabalhar e aprender com esses profissionais em diferentes contextos. Com a professora Eneida Maracajá, o contato ocorreu, inicialmente, por meio do Festival de Inverno de Campina Grande. No Departamento de Artes da UFPB, Campus II, fui seu aluno no curso de Teatro na Educação. Na ocasião, descobri o Teatro e a Pedagogia do Oprimido, universos de Augusto Boal e Paulo Freire.

Já o compositor Reginaldo Carvalho, tive o prazer de conhecê-lo em Uberlândia, Minas Gerais, em 1988, durante a realização do Painel FUNARTE de Regência Coral, do qual ele era professor convidado. Nos reencontramos no início da década de noventa, quando estive em Teresina por conta da realização do concurso público que permitiu meu ingresso na UFPI. Posteriormente, passei a conviver mais próximo do maestro, no dia-a-dia do Departamento de Educação Artística, no Centro de Ciências da Educação. Sedimentamos a amizade gradualmente, conversando sobre tudo, banalidades e temas sérios, especialmente a sua obra, que tem sido objeto de minhas pesquisas há mais de uma década.

Reginaldo Carvalho e Eneida Maracajá se encontraram em Campina Grande, em 1975, por ocasião da realização do I Festival Nacional de Teatro, evento que deu origem ao Festival de Inverno de Campina Grande. Folheando documentos recentemente, revi o programa do espetáculo apresentado pelo grupo teresinense no FENAT: Circo-Cinco, escrito e dirigido por Antônio Murilo Eckhardt e com música original de Reginaldo Carvalho. O espírito da época pode ser traduzido na mensagem impressa no panfleto do espetáculo: “Despertar – de gente, de estado, de país, de mundo, de mundos. Despertar. O que tentamos pregar e viver. Neste mundo repleto de desencontros com a vida e com os outros. Confiamos em nossa juventude, assim como confiamos no pó, na água, no fogo e no ar. Confiamos naquilo que sentimos: em nossa pele, em nosso coração, em nossos pulmões.  Sabemos também que alguém sempre confiará em nós. Nosso estado, nosso país, nossos irmãos paraibanos, canadenses ou chineses. O sangue será sempre vermelho. Não queremos só fazer um espetáculo. Queremos conhecer o maior número possível de irmãos novos, jovens, que também sentem o contato da ponta do dedo da Criação, do Criador, do contato vital.”

O legado de Eneida Maracajá e Reginaldo Carvalho atravessa o tempo, ecoando aqui e alhures, fazendo história, ratificando a necessidade do sonho, da utopia, da transgressão, da resistência, da arte, da educação, do encontro, do despertar, do estar vivo e com o sangue vermelho, em ebulição, correndo nas veias. E porque hoje é dia de celebrar a vida em suas múltiplas formas e dimensões, cumprimento-os com alegria, saravá, saravá.

Vladimir Silva (silvladimir@gmail.com)

Um comentário:

JOÃO EDUARDO PINHEIRRO NETO disse...

Maravilha de texto Caro Vladimir! Parabéns pra esses ícones e você que os homenageia em vida! Adoro Eneida! Abraços!

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