sexta-feira, 15 de outubro de 2010

A obra coral de Reginaldo Carvalho

Reginaldo Carvalho (1932) nasceu na cidade de Guarabira-PB. Estudou com Villa-Lobos, Paul Le Flem e Pierre Schaeffer, tendo sido um dos pioneiros no campo da música eletroacústica brasileira, nos anos sessenta. O canto coral, contudo, foi o veículo de expressão musical mais utilizado por Reginaldo Carvalho ao longo da sua carreira como compositor e educador, razão pela qual compôs várias obras e produziu muitos arranjos, dedicando-os a diferentes corais. Ele escreveu peças com uma grande diversidade de feitios, aproveitando seus próprios textos, versos de autoria desconhecida, do cancioneiro popular regional, assim como de outros poetas brasileiros.

As composições de Reginaldo Carvalho para coro são, na sua maioria, curtas e sem muitas repetições. Algumas, à semelhança dos madrigais italianos renascentistas, são escritas de forma contínua, apresentando material rítmico, melódico e harmônico diferente em cada seção, de acordo com os versos do poema. Outras são estróficas. Geralmente, as obras são homofônicas e escritas para coro misto a quatro vozes. No entanto, ele também compôs para vozes afins. Reginaldo Carvalho tem verdadeira fascinação pela música coral a cappella, gosto que desenvolveu ainda no tempo em que estudava com os frades franciscanos, no Convento de Ipuarana, onde cantava o Gregoriano e as missas de Palestrina e Victoria. Para ele, o que deve prevalecer, em termos de canto coral, é o canto, a voz, o chamado coral a cappella, o que não quer dizer que menospreze ou tire a validade do coral com acompanhamento instrumental ou orquestral. Na verdade, é enfático quando diz que não aprecia “coral com acompanhamento instrumental, principalmente como está em moda agora, com violão, sanfona ou batucada.”

Reginaldo Carvalho compõe com simplicidade e sem populismo, dialogando abertamente com o nacional e o universal, o passado e o presente, postura interativa que permite ao compositor revisitar outros textos, evocando-os e inserindo-os dentro do seu discurso numa perspectiva dialógica. As técnicas composicionais que ele emprega abrangem múltiplas tendências, que resultam da sua formação e das preferências musicais desenvolvidas desde a infância, no ambiente familiar e escolar. Um dos aspectos mais importantes que absorveu na sua estadia em Paris foi, por exemplo, a perspectiva de manter-se sempre aberto para o novo, o eclético, jamais se fechando numa única tendência, razão pela qual não aderiu a nenhuma corrente estética composicional específica.

Recentemente, a revista Musica Hodie (UFG) publicou um estudo no qual abordo a vida e as composições de Reginaldo Carvalho. (O texto está disponível no endereço http://www.revistas.ufg.br/index.php/musica/article/view/10721) Além de divulgar a obra coral deste importante compositor, que está vivíssimo e mora em Teresina-PI, esta pesquisa pretende contribuir para a preservação da memória musical brasileira, ampliando o conhecimento dos regentes e cantores sobre a nossa música coral.

Vladimir Silva (silvladimir@gmail.com)

3 comentários:

Aylê-Salassié disse...

Fiquei muito feliz de saber que o prof. (maestro) Reginaldo Carvalho está vivo e em atividade, e que seu trabalho está registrado. Fui um dos participantes do Coral de Brasilia, efetivamente o primeiro Coral da cidade, que cantava na Catedral para as missas presidenciais e no Hotel Nacional para o pessoal do Rotary. Ele é pioneiro da música coral erudita em Brasília, onde deixou órfao o canto coral e muitos dos seus admiradores, e se internou no Piauí. Alguns dos que vieram após ele tentaram apagar esta memória. Até hoje lembro-me da partitura do tenor que me cabia no Coral em textos de Palestrina, Thomás de Victoria e outros tantos que o seu bom gosto nos presenteava. Como poderia esquecer isso:
Tantum ergo Sacramentum
Veneremur cernui
Et antiquum documentum
novo cedat ritui
Praestet fides supplementum
Sensum defectui
Parabéns professor. Se algum dia voltar ao Piauí - estive por aí também clandestino - certamente vou querer vê-lo.

Abraços
Aylê-Sallassiè

Aylê-Salassié disse...

Fiquei feliz em abrir aqui e ter notícia do prof. (maestro) reginaldo de carvalho, organizador do primeiro Coral em Brasília (Coral de Brasilia), cuja memória tentou-se apagar. Lembro-me até hoje de alguns de seus arranjos maravilhsos com músicas de Palestrina, Thomás Luìs de Victoria, Orlando de Lassus. Como poderia esquecer isso:
"Tantum ergo sacramentum
Veneremur cernui;
Et antiquum documentum
Novo cedat ritui;
Praestet fides supplementum
Sensuum defectui {...}" . Parabéns professor.Aylê

Anônimo disse...

Também participei do Côro do Amparo
com o querido Maestro Reginaldo Carvalho em Teresina - PI e na ocasião tive o prazer de fazer o laboratório com outro querido Maestro Afrânio Lacerda (eram amigoa)ambos deixaram a semente do Côro à capela cantando de todos os Estilos do Folclore ao Sacro Espirituals etc. Repertório rico e lindo !!! Eram exigentes nas Técnicas e no repertório haviam arranjos do Maestro Emannuel

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