segunda-feira, 21 de junho de 2010

Que assim seja

O Madrigal da UFPI foi fundado no ano 2000 com o propósito de dedicar-se à interpretação da literatura coral escrita por compositores variados. A proposta do grupo era construir uma prática coral calcada no ensino da teoria musical, solfejo e técnica vocal, elementos fundamentais para uma interpretação consistente. Entre 2006 e 2009, o grupo contava com quarenta membros. Alguns cantores cursavam a Licenciatura em Música da UFPI; outros já cantavam, porém não dominavam os códigos da linguagem musical; para muitos, aquela seria a primeira experiência neste campo. O repertório do coro incluía música sacra e secular, a cappella e com acompanhamento instrumental.

Todo o trabalho pedagógico desenvolvido no grupo estava diretamente associado ao repertório. Sob a perspectiva rítmica, evitou-se, inicialmente, obras com síncopes, contratempos e quiálteras, preferindo aquelas que apresentavam ritmos simples. Quanto ao solfejo, adotou-se o método móvel. Como era esperado, o processo foi lento, porém dinâmico e intenso. O uso da manossolfa contribuiu para a aprendizagem do método. Quando o coro já estava solfejando fluentemente, iniciaram-se as sessões de leitura à primeira vista com os corais de J. S. Bach. As vozes eram lidas separadamente e depois conjuntamente, às vezes a cappella, outras com a ajuda do piano. A realização de quartetos periódicos contribuiu para aprimorar a autonomia dos cantores.

Paralelamente ao ensino do solfejo, abordou-se, sob a perspectiva teórica, vários conceitos (tom, semitom, escala, armadura, por exemplo), sempre levando em conta o repertório que o grupo estava cantando. No tocante à técnica vocal, foram administrados exercícios de relaxamento, controle respiratório e projeção, no intuito de criar imagens vocais adequadas à produção sonora. Os vocalizes eram sempre praticados no início de cada ensaio com a meta de resolver os problemas encontrados no repertório. As vozes foram trabalhadas individualmente, sem, contudo, perder de vista a uniformidade inerente à sonoridade coral.

Alguns dos trabalhos desenvolvidos pelo Madrigal da UFPI estão disponíveis no endereço http://www.youtube.com/user/sovivla. Pode-se afirmar que o projeto foi válido por seu caráter original, por sua contribuição para a divulgação da música coral e por sua importância para a consolidação das práticas musicais na UFPI. As atividades do coro permitiram que os alunos ampliassem o universo artístico e musical. Muitos deles resolveram aprofundar os estudos no campo da educação musical, da regência e do canto, no âmbito da graduação e da pós-graduação, no Brasil e no exterior. Acredita-se que este trabalho contribuiu para o crescimento técnico dos cantores e de suas potencialidades expressivas, sensoriais e emocionais. No Madrigal da UFPI, além de solfejar e cantar, todos os integrantes vivenciaram momentos calorosos, intensos e singulares, um misto de choro e riso, plenitude de poesia, paixão e amor à arte, através da música, em favor da vida.

Vladimir Silva (silvladimir@gmail.com)

*Para ler um relato mais completo, clique aqui.

9 comentários:

Dayana disse...

Às vezes lembro e não tenho mais a certeza de ter vivido uma realidade... ou será que foi apenas um sonho?

lorena disse...

tenho a mesma impressão, Dayana. O madrigal pra nós foi muito mais do que consolidação de práticas musicais. Foi também a oportunidade de entrar no maravilhoso mundo da música, da fantasia, dos sonhos... momentos inesquecíveis de felicidade!

Bia disse...

Isso faz parte da minha metodologia...rs....seria tao bom se pudesse apenas copiar e colar na minha dissertacao....rs...brassaum e vms trocar bastante ideias ainda. Obrigada pelas orientacoes academicas...

JEANHIKER disse...

Poxa! Quantas vezes, algumas delas dentro do Rodoviária(azulão), eu nao derramei lagrimas, devido a saudade do que vivemos! Muitas vezes! Ao relembrar momentos como cantar 'Amor de mi alma' + 'Dirait on', nossa, chorei mermo, na frente de todos, e xoro e xorarei, pois o que passou, passou. Nao volta nunca mais! e posso me dizer do amor que tive, que nao foi pra sempre, mas que foi 'eterno' enquanto durou e ainda dura, pois o Jean de hoje nao é um Jean kualker. É um Jean crescido e construido com a ajuda de todo este trabalho, neste maravilhoso grupo, e com este homem 'horripilantemente' digno de se chamar de tudo que há de bom e milhor em adjetivos pra descrever tal belo e grande músico. Sinto mt sua falta, professor, mas que bom que consegui abrir um pokin os meus olhos pra tentar enxergar um pokin de luz, no fim do tunel, que tenho acesso da escuridão que assola nossa vida musical de THE. Fomos todos quem perdemos com a saída dele... Mas ainda tenho que dizer: Que bom que ele saiu!, pois se tivesse fikaco aki,nao estaria realizando os projetos musicais que desenvolve agora, projetos estes que tb foram intentados a fazer-se aki, mas as forças da ignorância plena não deixavam. É por isso que digo: nao um mal que não traga um bem! E sou lhe grato e feliz por ter fikado algums pokos semestres sob vossa regencia! E que assim seja pra aqueles que tiverem agora a sorte de estar sob ela! Amém! Um xero nas criança! :)

Aniele disse...

Foi indescritivel cantar no Madrigal...foi meu primeiro contato com a musica de excelencia e me incentivou a buscar mais dessa fonte musical.S A U D A D E S...

Thiago Cabral disse...

De fato: o madrigal da UFPI deixa muitas saudades. Lembro-me de um recital que assisti no auditório do CCE em 2007 (e que, inclusive, o tenho gravado) o qual meu filho se encantava (aos dois anos de idade) com a sonoridade do grupo (e ainda queria cantar junto o "glória" de Vivaldi). Felizmente, como disse Vladimir, o grupo provocou a partida de alguns que, sem dúvida, continuarão a missão de "fazer música musicalmente", como fazia (e faz!) o Regente - bravamente!

Lua disse...

Cantar no Madrigal foi uma experiência única e maravilhosa. Crescer musicalmente foi bom, mas crescer como pessoa, foi, sem dúvida nenhuma, a melhor coisa que o Madrigal da UFPI fez por mim. Jean, também chorei muito, e muitas vezes com as maravilhosas lembranças q eu tenho dos nossos áureos tempos, nossos ensaios exaustivos e nossas viagens; Dayana e Nena, também tenho a impressão de que não foi real (foi perfeito demais). O Madrigal da UFPI com certeza me fez ser a pessoa que sou hoje, e se Deus me desse o direito de escolher um momento para reviver, sem dúvida nenhuma, seria um momento com vocês, amigos cantores, tão especiais na minha vida, para sempre...

Anônimo disse...

Realmente foi fantastico e surreal... tempo que nao voltara jamais.. sentiremos eternas saudades.
"Amor de Mi Alma e Direton"...eu choro sempre Jean... e quando ouco a ultima gravacao, choro ainda mais. Primeiro porque nao estive com voces, e segundo porque o som estava, simplesmente, perfeito. Parecia uma unica pessoa cantando... ah, aquele som naquela igreja me faz flutuar.
Nao somos os mesmos cantores de outrora e nao somos os mesmos seres humanos tambem, amadurecemos e aprendemos muito com o Madrigal. Muitas pessoas nao entendem porque eramos(e somos) tao apaixonados pelo coro, mas eh algo que pertence somente a nos( integrantes do Madrigal) quem nao viveu, nunca ira entender quao grandiosa foi essa experiencia. Saudades de todos e tudo!!!!

Kessia Lopes

Anônimo disse...

ai ai ....
depois de ler os manuscritos acima e logo em seguida os comentarios
fico a pensar:
porque as coisas boas sao tao passagerias na nossa vida?
puxa... tava tudo indo tao bem ...
mas enfim ... ficou o aprendizado ,a vontade de fazer melhor, a amizade e gratidao eternas a VOCE caro vladimir ,pelo ensinamento, pelo ideal, pela maestria com o que nos conduziu
a vida de todas as pessoas que estiveram na sala 448 as segundas, quartas e sextas nao será mais a mesma posso afirmar
a saudade é apenas o estimulo pra continuar a vida de uma forma nova , mais audaciosa tentado fazer mais do que a gente acha que pode fazer! muito obrigado a todos pela oportunidade e possamos nos encontrar um dia e entoar mais uma vez:
"direaton...direaton"
rodrigo melo

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