segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Medíocre, ordinário ou extraordinário?

Julgar não é uma tarefa fácil. Ao avaliarmos, apreciamos o mérito, atribuímos valores e conjecturamos sobre a qualidade dos seres, dos objetos, dos serviços, das atitudes, dos resultados. Todos os dias somos avaliados e avaliamos outras pessoas num exercício permanente da (auto) crítica. Isto ocorre em vários planos, seja em casa, no consultório, no escritório, na igreja, na sala de aula, no ensaio ou no palco. Comumente, tenho usado medíocre, ordinário e extraordinário para expressar os meus julgamentos de valor em relação aos profissionais com os quais trabalho. Futuramente, quem sabe, acrescentarei outros dois termos, ridículo e abominável, atendendo às sugestões dos meus alunos e amigos.

Acredito que mediocridade, incompetência, inexpressividade e falta de criatividade estão quase sempre juntas. Se não estiverem lado a lado, certamente estão bem próximas. Digo isso porque mediocridade é sinônimo de insuficiência de qualidade, de competência. Já percebi que no indivíduo medíocre falta vontade, tônus, disposição e sobra apatia, indiferença, má vontade. Ele se satisfaz com a falta de originalidade, o banal, preferindo o permissivo, a neutralidade, a condescendência, o caminho curto, o atalho, o método escuso. Pessoas com este perfil desrespeitam acordos e cronogramas e desconhecem os verbos revisar, aprimorar, preferindo apostar na sorte, no depois eu faço, no adiamento, no jeitinho de última hora.

Quando estamos no âmbito do ordinário, falamos do costume, da ordem normal. A condição, neste caso, é particular, comum, previsível, habitual, regular, periódica, pois a pessoa ordinária cumpre (ou tenta cumprir) o estabelecido. Ela segue o modelo, o método, atingindo, quase sempre, o limite do desejável, do passável. O ordinário opera sempre da mesma forma, mesmo reconhecendo a importância da mudança e a necessidade de encontrar novas formas de pensar, agir, trabalhar, estudar e resolver problemas. Contudo, a mesmice lhe faz bem e é mais cômoda que a mudança. Por isso, às vezes silencia, cruza os braços, evoca a indiferença e evita tomar decisões, esperando que os outros o façam em seu lugar.

No terreno do extraordinário há sempre transcendência em busca do imprevisível e da revogação dos limites. O indivíduo reconhece a importância do rigor, da exigência, da norma, da sistematicidade, mas entende que também precisa ser invasivo, exceder o usual, o obrigatório. Suas ofertas dispensam solicitações, porque o tolerável não lhe é suficiente. Compromissado com o porvir, antevê, colabora e trabalha incessantemente para a consecução dos resultados e metas almejadas. É altivo, independente, resoluto. O sujeito extraordinário, além de responder pelos seus atos, assume riscos e, mais que reconhecer erros, destaca virtudes. Em seu olhar crepita o fogo da inquietude, da paixão e da beleza, que a todos incendeia.

Vladimir Silva (silvladimir@gmail.com)

9 comentários:

Lili Batista disse...

Como seria bom podermos conviver apenas com pessoas extraordinárias...

JAIR DOS SANTOS GONÇALVES disse...

OLÁ PROFESSOR!

COMO ESTÁS COMPARSA DA MÚSICA?
APROVEITANDO MUITO OS VÍDEOS QUE FIZ DE SUA PERFORMANCE NA UFSM!

ESPERO PODER TÊ-LO AJUDADO!

FORTE ABRAÇO E ATÉ BREVE!

Anônimo disse...

nosssa vladimir a agora na duvida em qual nivel estou hehehehehe
vou fazer uma analise critica de mim mesmo e te digo depois
abraços
rodrigo

Anônimo disse...

A verdade dura e cruel muitas vezes dói hehehe é assim mesmo professor temos que sair da mediocridade e comodismo ainda dá tempo kkkkkk
bjo e abraço!
ANIELE

Biancalmeida disse...

Menino, o que andou (anda)acontecendo pelo nosso Brasil?' rs...sei...muita coisa...parabens, mais uma vez!! Estou lendo para o JC...ele tem que crescer comigo, ne?
brassaum musical

Caras & Bocas disse...

Vladimir,

Perfeitas e cabíveis todas as observações do seu texto. Principalmente no âmbito das artes na nossa região, onde há uma espécie de pacto da mediocridade que elege e destaca nomes que, muitas vezes, não escapam da esfera do medíocre, quando não do ordinário. Acho que seu texto nos induz a uma autocrítica e a uma pergunta simples: por que não assumir os limites de cada um e, com vontade, disciplina e estudo tentar galgar os degraus acima...

fotos disse...

Professor!
Prazer imenso. Vc. escreve exatamente como gosto. Texto limpo, seco,sem frivolidades. E.....Esse texto
nos leva `a uma auto análise imediata: De que lado estou?
Pessoas como vc. que fazem a diferença fazem falta nos tempos atuais.
Por favor nos brinde sempre com algo extraído do excelentes cérebro.
Parabens!!!!!!

Anônimo disse...

ILMO Prof. Dr Vladimir: tenho que reconhecer mais um vez o seu talento. Texto magnífico, nós leva a rever novos paradigmas. Excelente enviei à diretoria do hospital no qual trabalho.
Esse texto realmente exige reflexão e sugere muanças... de tão bom chega a incomodar!

O canto lírico disse...

Parece que estou vendo o senhor falando isso lá na sala 448!

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